segunda-feira, 13 de maio de 2013

Expedição acha 'continente perdido' a 1.500 km do litoral do Brasil





Uma expedição do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), com a cooperação da Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia da Terra e do Mar (Jamstec), deixou pesquisadores mais perto de concluírem que a Elevação do Alto Rio Grande, região mais rasa localizada a cerca de 1.500 quilômetro da costa Sudeste do país, é uma parte da Plataforma Continental Brasileira que se desprendeu e afundou com o movimento das placas tectônicas.
O anúncio foi feita nesta segunda-feira (6) no Píer Mauá, no Rio de Janeiro, onde representantes da Jamstec, da Embaixada do Japão no Brasil e do governo brasileiro se reuniram  para celebrar a cooperação entre os dois países e para dar início à exposição A Nova Fronteira do Conhecimento.
As novas conclusões foram obtidas a partir do apoio do submergível japonês Shinkai 6500, capaz de chegar a 6.500 metros de profundidade e que foi usado para coletar material da região do Alto Rio Grande. Por meio de dragagem, pesquisadores brasileiros já tinham encontrado granito na região e, agora, confirmaram a presença da rocha com os mergulhos possibilitados pelo veículo. Menos denso que as rochas normalmente do fundo do oceano, o granito está mais associado aos continentes. O Pão de Açúcar, por exemplo, é feito de granito.
"O fato de haver um continente naquela região nos abre outras possibilidades. Até que ponto [o achado] foi uma extensão de São Paulo que se desgarrou e ficou para trás? Isso nos leva a pensar no que fazer para a região. Não só conhecer, mas requerer essa área", disse Roberto Ventura, diretor de Geologia e Recursos Minerais do CPRM. Ele conta que o Alto Rio Grande tem sido chamado de "Atlântida" no órgão em referência ao mitológico continente que teria afundado no oceano.
O tamanho do Alto Rio Grande ainda não foi definido com clareza, mas Ventura estima que seja comparável ao estado de São Paulo. O diretor conta que países como Rússia e França já reivindicam áreas no Atlântico Sul, onde a China também realiza pesquisas, o que torna o estudo estratégico para o Brasil, que tem a maior costa do oceano. A longo prazo, segundo o geólogo, a região pode se tornar um ponto de mineração submarina, com a perspectiva de extração de ferro, manganês e cobalto.
O Shinkai 6500 custou cerca de US$ 130 milhões ao governo japonês e faz pesquisas em águas profundas desde 1991. Também foram investidos US$ 100 milhões no navio Yokosuka, para adequar a embarcação para transportar o submergível. Hiroshi Kitazato, pesquisador japonês que coordenou os trabalhos da Jamstec na expedição, destacou o interesse do país asiático em pesquisar o oceano: "Essa é a região que menos foi explorada no mundo inteiro. Então, acreditamos que é muito importante pesquisá-la. Antes, o Shinkai fez expedições mais próximas ao Japão, no Índico e no Pacífico".
Roberto Ventura conta que um submergível como o Shinkai e um navio como o Yokosuka são tecnologias que "não podem ser compradas em prateleiras", pois precisam ser desenvolvidas e operadas por pessoal capacitado, condições de que o Brasil ainda não dispõe. O pesquisador criticou a burocracia a que estão submetidas pesquisas científicas, que precisam de importações de peças. "O nosso amadurecimento precisa ser na questão burocrática também. Para a gente competir, do ponto de vista tecnológico, em ciência, a gente precisa ser muito mais ágil", destacou.
O pesquisador do CPRM Eugênio Frazão esteve em um dos sete mergulhos em grande profundidade. Ele levou cerca de uma hora e meia para atingir a profundidade de 4.200 metros - o mergulho durou cerca de oito horas. Ele destaca que, além de rochas continentais, foram encontradas espécies não conhecidas em situações muito adversas e até um coral com caraterísticas específicas de águas profundas.
A expedição Iatá-Piuna (navegando em águas profundas e escuras, em tupi-guarani) teve início em 13 de abril, na Cidade do Cabo, na África do Sul e percorreu, no primeiro trecho, a Elevação do Rio Grande e a Cordilheira de São Paulo. No segundo trecho, será explorado o Platô de São Paulo. Seis pesquisadores brasileiros acompanham o navio que depois de pesquisar o Atlântico Sul, segue para o Mar do Caribe.






segunda-feira, 6 de maio de 2013

Clube de Inglês

Que tal aprimorar sua fala na lingua inglesa?

O PET Geologia irá todas as quartas feiras das 12h15 as 13h30  oferecer aos alunos da UFPR a chance de praticar a conversação em inglês e aprimorar seus conhecimentos com atividades dinâmicas.   



domingo, 5 de maio de 2013

Temperatura do centro da Terra é de 6000 graus


 

Cientistas determinaram que a temperatura nas proximidades do centro da Terra é de 6.000 graus Celsius, 1.000 graus mais quente do que os experimentos anteriores, feitos há 20 anos, haviam calculado.
Estas medições confirmam modelos geofísicos que estabelecem que a diferença de temperatura entre o núcleo e o manto sólido logo acima deve ser de pelo menos 1.500 graus Celsius para explicar porque a Terra tem um campo magnético.


As camadas da Terra e suas temperaturas:
crosta, manto superior, manto inferior, núcleo externo
e núcleo de ferro sólido.[Imagem: ESRF]



Núcleo da Terra
O núcleo da Terra é composto de um envoltório de ferro líquido em temperaturas acima de 4.000 graus e pressões de mais de 1,3 milhão de atmosferas. Sob estas condições, o ferro é líquido e flui como a água dos oceanos.
É apenas bem no centro da Terra, onde a pressão e a temperatura são ainda maiores, que o ferro se solidifica.
 Análise de ondas sísmicas que passam através da Terra nos dão informações sobre a espessura dos núcleos sólido e líquido, e até mesmo como a pressão aumenta com a profundidade rumo ao interior do planeta.
No entanto, essas ondas não dão informações sobre a temperatura, que tem uma influência importante sobre o movimento do material no núcleo líquido e no manto sólido acima dele.
Na verdade, a diferença de temperatura entre o manto e o núcleo é o principal motor dos movimentos térmicos de larga escala que, juntamente com a rotação do planeta, atuam como um dínamo para gerar o campo magnético da Terra.
Um feixe muito fino de raios-X síncroton foi usado para detectar quando o ferro sólido começa a derreter.  A fusão altera a estrutura cristalina do metal, alterando o "padrão de difração", que desvia os raios-X que atravessam a amostra. [Imagem: ESRF/Denis Andrault]

 

Raio X do centro da Terra

Para gerar uma imagem precisa do perfil de temperatura no centro da Terra, os cientistas observam o ponto de fusão do ferro sob diferentes pressões em laboratório.
Para isso, eles usam uma bigorna de diamante para comprimir amostras de ferro minúsculas a pressões de vários milhões de atmosferas, e poderosos raios laser para aquecê-las até 4.000 ou até 5.000 graus Celsius.
Mas esses experimentos estão longe de ser simples. Por exemplo, a amostra deve ser isolada termicamente, não pode reagir com o ambiente, e o que acontece nela deve ser visto por inteiro, e não apenas na superfície - tudo durante os segundos que o experimento dura.
É aí que entram os raios X.
"Nós desenvolvemos uma nova técnica na qual um feixe intenso de raios X do síncrotron pode sondar uma amostra e deduzir se ela é sólida, líquida ou parcialmente líquida em apenas um segundo, por meio de um processo conhecido como difração," explica Mohamed Mezouar, um dos autores do estudo.
"Isto é suficientemente rápido para manter a temperatura e a pressão constantes e, ao mesmo tempo, evitar quaisquer reações químicas," complementa.
O experimento mostrou a fusão do ferro até 4.800 graus Celsius e pressão de 2,2 milhões de atmosferas.
Em seguida, os pesquisadores utilizaram uma técnica de extrapolação para determinar que, sob 3,3 milhões de atmosferas - a pressão na fronteira entre as partes líquida e sólida do núcleo - a temperatura é de 6.000 graus, com uma tolerância de 500 graus para mais ou para menos.
O experimento também revelou um fenômeno chamado recristalização na zona externa da amostra de ferro, que levou Reinhard Boehler e sua equipe, em 1993, a chegar a um valor 1.000 graus mais baixo.

Fonte: Geofísica Brasil  

Empresas reclamam e governo modifica código de mineração

Por Daniel Rittner e André Borges | De Brasília

Diante da chiadeira das empresas, o governo promoveu mudanças de última hora nas discussões do novo código de mineração, que poderá sair por medida provisória. Além de desistir da cobrança de participações especiais em jazidas com alta produtividade, a alíquota máxima dos royalties será de 4% e fixada em lei, em vez do limite de 6% inicialmente definido. Com isso, a ideia é evitar uma situação de instabilidade no setor, com um risco permanente de que picos de preço no mercado internacional de commodities metálicas se revertam em uma dose adicional de tributação sobre as mineradoras. 


"Retrocedemos em algumas questões, por ponderações do próprio setor", disse o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, em entrevista ao Valor. Ele mesmo tomou a iniciativa de citar exemplos. "Provavelmente não vamos mais incluir participações especiais no novo código", afirma Lobão, referindo-se à taxação extra de grandes jazidas, como as explorações minerais na Serra dos Carajás (PA) e no Quadrilátero Ferrífero (MG), de forma semelhante ao que já ocorre na indústria do petróleo e gás.
 
A alíquota máxima da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem), o royalty da mineração, vai aumentar menos do que o previsto. Hoje, a Cfem varia de 0,5% a 3%. O minério de ferro é taxado em 2%. "Em um primeiro impulso, imaginamos um máximo de 6%, mas agora limitamos a 4%", diz Lobão. 
O limite estará definido em lei, evitando a hipótese de que um mero decreto presidencial eleve a cobrança, o que cria uma espécie de blindagem contra a sede de arrecadação em momentos de preços altos no mercado internacional. "Não queremos gerar instabilidade", justifica o ministro.

 
A alíquota mínima cairá para zero. Isso permitirá a desoneração de rochas ornamentais, agregados de construção (como argila, areia e brita) e insumos para fertilizantes agrícolas. Com a nova política de royalties, a estimativa do governo é que o patamar de arrecadação anual da Cfem passe para R$ 4 bilhões. Em 2012, a compensação atingiu R$ 1,8 bilhão. A cobrança será feita pelo faturamento bruto das mineradoras, não mais pelo líquido, mas a desistência de criação das participações especiais e a desoneração de minérios básicos diminuíram a perspectiva de alavancar ainda mais esses valores.

 
Lobão faz questão de ponderar: "Essas são as decisões a que chegamos, mas elas podem ser revistas até o último instante". O novo código está muito próximo de ser anunciado pela presidente Dilma Rousseff, segundo ele, e a tendência é que o pacote seja enviado ao Congresso por medida provisória. "A nossa inclinação é essa, para dar mais rapidez. Se formos encaminhar como mensagem ao Congresso, essa discussão leva dois ou três anos. Uma MP pode ser discutida pelos parlamentares do mesmo modo." 


Em um sinal de armistício com as mineradoras, o ministro também não é mais taxativo, como foi três semanas atrás, sobre a licitação de áreas com jazidas que já têm portarias de lavra pedidas - com pesquisas concluídas e licenças ambientais obtidas -, dependendo apenas de uma assinatura do próprio Lobão para iniciar sua produção. Pelo menos 120 minas estão nessa situação, que afeta empresas como Vale, AngloGold e Bahia Mineração. 


No início de abril, o ministro havia dito que essas jazidas não tinham nenhum direito assegurado, e eram passíveis de entrar no sistema de licitações que será criado com o novo código, provocando uma reação negativa das mineradoras. Agora, Lobão adotou uma postura mais cautelosa, sem antecipar conclusões. 
"Temos uma tradição de cumprimento rigoroso da lei e dos contratos. Desejamos compensar essas pessoas pelos esforços que elas fizeram, sem perder de vista os ditames da nova lei. É possível que obtenham a portaria de lavra. Estamos estudando isso para resolver a questão", afirma o ministro. 


Pelo novo código, as concessões serão dadas aos vencedores das licitações de áreas minerais por um período de 30 anos, que poderá ser prorrogado por mais 20 anos. Hoje, a empresa que explora uma jazida pode retirar minério enquanto durarem as reservas, sem limite de tempo. 


No pacote da mineração, conforme já disse o ministro diversas vezes, há três projetos - ou MPs - diferentes: um atualiza o marco regulatório em si e cria o Conselho Nacional de Política Mineral, que definirá as áreas licitadas; o outro trata especificamente dos royalties; o terceiro transforma o Departamento Nacional de Produção Mineral (DPNM) em agência reguladora para o setor. 


Para Lobão, o governo não tratou do assunto a portas fechadas. Lembrou que houve reuniões com governos estaduais, associações de municípios e entidades empresariais. "Ninguém pode dizer que não foi ouvido", disse. 


Fonte: Senado - Portal de Notícias 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

PET vai à Tibagi - PR

No último dia 19 e 20 de Abril o PET - Geologia realizou uma viagem à cidade de Tibagi, PR. Durante a excursão foram visitados dois importantes pontos geoturísticos do estado: o Parque Estadual de Vila Velha em Ponta Grossa e o Parque Estadual do Guartelá em Tibagi, ambos sendo administrados pelo IAP (Instituto Ambiental do Paraná). Além desses pontos foi visitado também o Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Junior que, além de outros fatos da história da cidade de Tibagi, conta um pouco sobre o período onde se garimpava diamante na região.

VILA VELHA










CANYON DO GUARTELÁ







Mais informações sobre a formação das estruturas dos parques podem ser encontrados nesses dois artigos: Vila Velha, PR - Impressionante relevo runiforme e Canyon do Guartelá, PR - Profunda garganta fluvial com notáveis exposições de arenitos devonianos. Informações sobre visitação dos parques são encontradas no site das prefeituras dos respectivos municípios (Ponta Grossa e Tibagi)

terça-feira, 30 de abril de 2013

Furacão em Saturno pode ajudar a esclarecer fenômeno na Terra


Imagem de furacão registrado pela sonda Cassini no Polo Norte de Saturno (Foto: NASA/JPL-Caltech/SSI)Imagem colorida artificialmente mostra furacão registrado pela sonda Cassini no Polo Norte de Saturno. O olho do furacão se assemelha a uma botão de rosa vermelha (Foto: NASA/JPL-Caltech/SSI)



Cientistas da agência espacial americana, Nasa, identificaram que uma tempestade no Polo Norte de Saturno é, na verdade, um furacão com um vórtice (região central do fenômeno) com largura equivalente a 20 vezes o tamanho do olho de um furacão na Terra. Seu tamanho é de 2 mil km, segundo a Nasa.
A tempestade, captada pela sonda Cassini, havia sido divulgada inicialmente em novembro do ano passado, mas somente agora a equipe revelou dados a respeito.
De acordo com os pesquisadores, a velocidade dos ventos do furacão de Saturno era quatro vezes mais rápida se comparada ao máximo que pode atingir um fenômeno terrestre.
Por aqui, a velocidade dessas tempestades é subdivida em cinco categorias de força pela escala Saffir-Simpson. Fenômenos classificados na categoria 1 têm ventos de até 152 km/h. Tempestades com ventos entre 153 km/h e 176 km/h estão na categoria 2.
Furacões com ventos entre 177 km/h e 207 km/h são classificados na categoria 3. Foram classificados neste patamar os fenômenos Katrina, que devastou Nova Orleans em 2005, e matou 1.700 pessoas, e Glória, que 1985 atingiu a região da Carolina do Norte e Nova York e causou oito mortes.
Na categoria 4, os ventos têm velocidade entre 209 km e 250 km. Já os furacões classificados na categoria 5 são aqueles que registram ventos com velocidade acima de 251 km/h, de acordo com o meteorologista do Inmet.
A Nasa afirma que estudar o furacão no Polo Norte de Saturno pode auxiliar em descobertas sobre a formação deles na Terra. O fenômeno climático é resultado da combinação de alta temperatura na superfície do oceano, elevada quantidade de chuvas e queda da pressão do ar (sistema que favorece uma subida mais rápida do ar e uma constante evaporação da água do mar). Esse sistema costuma se formar em áreas próximas à Linha do Equador.
A missão Cassini-Huygens é um projeto de cooperação entre a Nasa, a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Agência Espacial Italiana (ASI). As duas câmeras a bordo da sonda foram projetadas, desenvolvidas e montadas no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa, em Pasadena, na Califórnia. A equipe que trabalha com as imagens fica no Instituto de Ciência Espacial em Boulder, no Colorado.
Fonte: G1

domingo, 21 de abril de 2013

Formação única deixa montanhas coloridas na China


Parque Geológico Zhangye Danxia recebe cada vez mais turistas.
Desenhos foram sendo criados durante 24 milhões de anos.


Montanhas coloridas do Parque Geológico Zhangye Danxia, na China (Foto: Xin Ran/Imaginechina)Montanhas coloridas do Parque Geológico Zhangye Danxia, na China (Foto: Xin Ran/Imaginechina/AFP)








Elas parecem ter sido pintadas à mão, mas são obra de milhões de anos de ação geológica.
Multicoloridas, as montanhas do Parque Geológico Zhangye Danxia chamam a atenção dos turistas cada vez mais numerosos que vão até a província de Gansu, no norte da China.
Esse tipo de geomorfologia única, encontrada apenas na China, consiste em formações de arenito e outros depósitos minerais que foram se acumulando por mais de 24 milhões de anos.
O movimento da crosta terrestre, junto com fatores externos, como vento e chuva, foram criando camadas de diferentes cores, texturas, tamanhos e padrões.
Não muito conhecida, a cidade de Zhangye está chamando a atenção dos turistas que querem ver de perto essa paisagem curiosa.
Montanhas coloridas do Parque Geológico Zhangye Danxia, na China (Foto: Xin Ran/Imaginechina)Turista em passarela de observação do parque (Foto: Xin Ran/Imaginechina/AFP)
Montanhas coloridas do Parque Geológico Zhangye Danxia, na China (Foto: Xin Ran/Imaginechina)Formações coloridas foram surgindo ao longo de 24 milhões de anos  (Foto: Xin Ran/Imaginechina/AFP)




















































Fonte: G1

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A Porta do Inferno


A Cratera de Darvasa é um campo de gás natural localizado no Turcomenistão e é conhecida pela sua chama que vem queimando continuamente desde 1971, alimentada pelos ricos depósitos de gás natural na área. Ela exala um forte cheiro de enxofre que pode ser sentido à longa distância.
A reserva de gás encontrada no local é uma das maiores do mundo. O nome “Porta para o Inferno” foi dado pela população local referindo-se ao fogo, lama fervente e as chamas alaranjadas na cratera que tem um diâmetro de 70 metros.
A Porta do Inferno, em 2010

O local foi identificado em 1971 por cientistas da então União Soviética pensando que este poderia ser um campo de petróleo. Acreditando nisso, montaram um acampamento com uma plataforma de perfuração para avaliar a quantidade de gás e petróleo disponíveis no local. Como os soviéticos estavam satisfeitos com o sucesso em encontrar esses recursos, eles começaram a armazenar o gás. Porém, durante as escavações foi descoberta uma caverna subterrânea de grande profundidade, repleta de gás tóxico. Num certo momento dos trabalhos, o chão sob a plataforma de perfuração cedeu abrindo uma grande cratera que engoliu os equipamentos. Nenhuma vida foi perdida no incidente, mas grandes quantidades de gás metano foram lançadas na atmosfera criando enormes problemas ambientais e imenso dano ao povo das aldeias, resultando em algumas mortes.
Temendo a liberação de mais gases venenosos, os cientistas decidiram queimá-los, por considerarem que seria mais seguro queimá-lo do que extraí-lo do subsolo, pois isso exigiria processos caros. Em termos ambientais, a queima do gás é a solução mais coerente quando as circunstâncias são tais que ele não pode ser extraído para uso. O gás metano lançado na atmosfera também é um perigoso gás de efeito estufa, cujo potencial de aquecimento global é alto. Naquele tempo, as expectativas eram de que o gás iria queimar por alguns dias, mas ainda está queimando 42 anos após ter sido incendiado.
Não há nenhuma previsão de quando as labaredas vão finalmente cessar, já que ninguém tem noção da quantidade de gás que ainda existe nas profundezas da cratera.
Fonte:Engenharia é 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O Brasil tem um pré-sal de urânio a explorar, diz novo presidente da INB


O Brasil possui atualmente, segundo dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a sétima maior reserva de concentrado de urânio do mundo, de 309 mil toneladas. Considerando as reservas ainda não exploradas, o país tem potencial para alcançar a primeira posição deste ranking nos próximos anos, de acordo com o novo presidente das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Aquilino Senra, nomeado na semana passada.
Formado em Física na Uerj, Senra fez mestrado e doutorado em Engenharia Nuclear na UFRJ, onde estava lotado como vice-diretor da Coordenação de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) e é considerado uma das principais autoridades do país no assunto. Para que o Brasil avance, no entanto, ele diz que é necessário não só ampliar a extração do minério, atualmente restrita à mina de Caetité, na Bahia, mas também as outras etapas do processo de beneficiamento até chegar ao combustível atômico de fato.
O Brasil tem um pré-sal de urânio por explorar, em termos de potencial energético. Mas, assim como no pré-sal de petróleo, existe uma diferença entre ter as reservas e elas serem de fato exploradas. Isso exige recursos e tempo pondera.
Segundo dados das INB, os investimentos necessários até 2020 são de R$ 2,42 bilhões, sendo 64% (R$ 1,55 bilhões) destinados à fase do enriquecimento do material, ou seja, a separação dos átomos de maior potencial energético (U235) dos átomos comuns da substância (U238) por meio de centrífugas.
Por que a mudança na diretoria das Indústrias Nucleares do Brasil?
A INB é uma empresa mista, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e a mudança é normal. Em toda e qualquer empresa se busca o aperfeiçoamento. Se houve outros motivos, não sei. A diretoria é toda de técnicos especializados, da casa. O forasteiro sou eu, mas tenho muito contato com o setor nuclear devido à minha formação.
Como vê o quadro atual do setor no país?
Minério nós temos. O que precisamos é alocar recursos para atender à demanda. Nós temos um pré-sal em termos de riqueza energética com as reservas de urânio. Nesse quesito, o Brasil hoje está atrás de Austrália, Cazaquistão, Rússia, África do Sul, Canadá e Estados Unidos. Isso é o que tem prospectado. Mas, no caso do Brasil, apenas cerca de 25% do território nacional foi prospectado. A tendência é o Brasil ir para o primeiro lugar dessa lista.
O que precisa ser feito para isso?
Uma coisa é ter as reservas, outra coisa é ser capaz de explorá-las. Com o petróleo é assim, e com o urânio não será diferente. Tem o custo das obras em si, fora o licenciamento ambiental.
O objetivo é abastecer apenas o mercado interno?
Os planos da China são de aumentar sua capacidade de produção de energia nuclear de 7 giga-watts para 80 giga-watts em dez anos. Isso vai demandar minério e serviços de beneficiamento de todo o mundo. Só que o primeiro reator da Coreia do Sul, por exemplo, é irmão gêmeo do reator de Angra 1. Hoje, eles lá tem 21 e nós ainda não terminamos o terceiro.
O Brasil ficou para trás?
O Brasil tinha uma política de geração de energia com forte base nas hidrelétricas, que acabou sendo impactada pela falta de reservatórios, com a construção das usinas de fio dágua. Houve uma indefinição sobre qual seria o tamanho do programa nuclear brasileiro nas décadas passadas, e não se fez os investimentos necessários. Hoje, a INB importa os materiais para a construção de Angra 3.
Quais serão as prioridades na INB?
É preciso definir, e isso é uma discussão que tem que ser retomada com todo o setor e todos os níveis do governo, o quanto de energia nuclear vai compor a matriz energética brasileira (atualmente, a parcela é de 2,7%). Um ponto fundamental no programa nuclear brasileiro é aumentar a produção do minério de urânio. A extração não está sendo feita na dimensão que precisa. O Brasil tem reservas de 309 mil toneladas de pasta de urânio (chamada de yellow cake, bolo amarelo, é um processado do minério que precisa ser transformado em gás para a separação dos isótopos mais valiosos energeticamente, depois reconvertida em pastilhas, usadas então como combustível nas usinas nucleares).
E o nível de consumo atual?
Angra 1 e Angra 2 consomem hoje o equivalente a cerca de 400 toneladas por ano, que é a capacidade máxima da Mina de Caetité, que tem reservas de 94 mil toneladas. É preciso ampliar Caetité para 800 toneladas por ano e, ainda, começar a exploração da nova mina (de Santa Quitéria, no Ceará), que tem mais 91 mil toneladas estimadas em reservas, e adicionaria 400 toneladas por ano.
O país precisa evoluir mais no processamento do urânio?
O acordo com a Alemanha, na década de 1970, previa uma transferência de tecnologia que nunca se efetivou. A tecnologia de enriquecimento só nove países dominam. É coisa que não se vende nem se transfere. E dos nove que detêm a técnica de beneficiamento, apenas três possuem reservas do minério e usam efetivamente a energia nuclear: Brasil, Estados Unidos e Rússia. O Brasil precisa ainda ampliar as instalações para as etapas intermediárias do processamento, da transformação da pasta de urânio nas pastilhas de combustível. Mesmo assim, o país conseguiu construir seu programa nuclear, sem alarde, diferentemente do Irã, por exemplo.
Mas isso porque sinalizou o uso pacífico desde o início.
Exato. Esse uso pacífico virou até artigo na Constituição de 1988. E o Brasil também foi rápido em assinar o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares.
Além da eletricidade, que aplicações práticas da energia nuclear têm se destacado?
Uma das principais é a produção dos chamados radioisótopos, que hoje em dia são fundamentais para cerca de 750 mil exames e procedimentos médicos por ano. Antes, para identificar um problema coronariano, por exemplo, a pessoa era submetida de imediato a um cateterismo, que é invasivo. Hoje, com os radioisótopos, é possível verificar se há ou não necessidade do cateterismo. Também são usados no tratamento de câncer. Antes, era uma fonte de cobalto, que afetava outras áreas do corpo além da que se localizava o tumor. Os radiosótopos minimizam os danos aos tecidos saudáveis dos pacientes.
Ainda assim, o público continua a associar energia nuclear a bombas atômicas e acidentes em usinas.
O lançamento das bombas de Nagasaki e Hiroshima, na Segunda Guerra Mundial, se colou à imagem da energia nuclear. Mas, atualmente, cerca de 16% de toda a eletricidade gerada no planeta tem fonte nuclear. É a eletricidade usada por mais ou menos um bilhão de pessoas. É a única forma de geração de energia que não emite gases estufa. Houve três acidentes em usinas em toda história da energia nuclear: Three Mile Island (EUA, 1979), Chernobyl (Rússia, 1986) e Fukushima (Japão, 2011). Os benefícios, a meu ver, são claramente superiores aos riscos. Mas o acidente de Fukushima, em 2011, decretou uma espécie de moratória na discussão dos projetos. Nomes importantes do movimento ambiental, como Patrick Moore (fundador do Greenpeace) e James Lovelock (do Gaia Theory) vinham revisando seus conceitos sobre a energia nuclear, mas aquelas imagens chocantes reapareceram.
E quanto ao lixo radioativo?
O depósito desses rejeitos requer uma preocupação especial, sem dúvida. Os ambientalistas têm se posicionado sobre o significado de um legado desses para gerações futuras. E têm que se posicionar mesmo. Não só quanto a essas mas quanto a outras questões. Mas existem soluções técnicas. O físico Carlo Rubia, vencedor do prêmio Nobel, propôs um processo que reduz o tempo de atividade deste material de milhares de anos para 200 anos. Nomes importantes do movimento

domingo, 24 de março de 2013

Brasil pode perder parte do território do Acre para a Bolívia


O Brasil pode perder uma área de terra equivalente a 66 campos de futebol para a Bolívia. A erosão, provocada pela cheia do Rio Acre, poderá em alguns anos, separar parte do bairro Leonardo Barbosa, localizado no município de Brasiléia (fronteira com a Bolívia), distante 240 quilômetros da capital acreana, do restante do território nacional. De acordo com informações da prefeitura de Brasiléia, atualmente 614 famílias vivem no local.
Bairro Leonardo Barbosa pode ser separado do Brasil (Foto: Reprodução Prefeitura de Brasiléia)Bairro Leonardo Barbosa pode ser separado do Brasil (Foto: Reprodução Prefeitura de Brasiléia)

O geólogo do Instituto de Pesquisa da Amazônia (Ipam), Pavel Jezek, explica que há um risco de o território onde fica o bairro ser separado do restante do munícipio de Brasiléia, caso ocorra uma grande enchente.
Como a fronteira entre Brasil e Bolívia na região é demarcada pelo Rio Acre, os 66,05 hectares que compõem o território do bairro Leonardo Barbosa poderiam ser reclamados pelo governo boliviano.
Jezek diz que a situação já foi informada para a Agência Nacional da Água, para Secretaria Nacional de Recursos Hídricos e também para o Itamaraty, considerando que o Rio Acre é fronteira internacional. Além disso, uma proposta técnica para tentar conter a separação foi apresentada à prefeitura de Brasiléia, mas nenhuma providência foi tomada até o momento. Ele atribui a demora à necessidade de um acordo binacional que ainda não foi realizado.
"A causa do processo de erosão no bairro Leonardo Barbosa é o rio, cuja vazão, quantidade de água por unidade de tempo, varia entre seca e cheia. Em situação de cheia aumenta a velocidade e a intensidade de erosão", explica.
Ele reforça ainda que a ocupação de terrenos nas margens do rio, contribui para diminuir a coesão da superfície do solo.
"Todo mundo sabe que essa é uma área de risco"
Bairro Leonardo Barbosa pode ser separado do Brasil em Brasiléia (Foto: Yuri Marcel / G1)José Soares Lopes vê o rio Acre levar um pouco da 
sua casa a cada ano. (Foto: Yuri Marcel / G1)
A coordenadora pedagógica da Unidade do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) em Brasiléia e moradora do Leonardo Carvalho, Rejane Raolino de Souza, conta que a escola, localizada no bairro, já foi condenada pela Defesa Civil e deverá ser transferida para outro lugar em três meses.
"Todo mundo sabe que essa é uma área de risco que foi condenada pela Defesa Civil, mas no momento a gente não pode fazer nada, porque as crianças não podem ficar sem estudar e a gente não pode ficar sem cumprir com os nossos deveres. Já pensei em sair, mas no momento não é possível", relata.
Outro morador que está preocupado é o comerciante José Soares Lopes (42) que vive há sete anos no bairro. A erosão já alcançou a parte de trás de seu comércio e ele conta que espera uma atitude do poder público.
"A alagação está fazendo com que a terra vá descendo, está derretendo tudo. Aqui era uma área de cinco metros que está acabando. A gente espera uma ação do governo, que eles venham olhar de perto e digam se vão nos tirar ou vamos ter que sair por conta própria", disse.
Segundo o radialista Marcos José Filho (37) a população não sabe como agir. Ele conta que muitos já venderam suas casas e se mudaram com medo, mas que outros por não terem para onde ir, continuam a espera de uma ação do governo.
"Aqui estamos praticamente ilhados correndo o risco de ficar isolados do resto da cidade. Já tivemos uma alagação forte no ano passado e muitos moradores por não terem para onde ir, continuam morando nessa área e o rio continua quebrando o solo. Têm pessoas que não conseguem dormir em paz com medo e muitos moradores já venderam suas casas e saíram daqui por causa disso", conta.

Bairro Leonardo Barbosa pode ser separado do Brasil em Brasiléia (Foto: Yuri Marcel / G1)Moradores deixam casas levadas pelas águas do Rio Acre (Foto: Yuri Marcel / G1)









Prefeitura pretende retirar moradores
De acordo com a secretária de Planejamento de Brasiléia, Gorete Carvalho, a prefeitura vai identificar as pessoas que vivem nessa área de risco e alocá-las em programas de habitação como o Minha Casa Minha Vida. O trabalho, porém, deve levar ainda cerca de um ano para ser concluído.
Sobre a possibilidade de  criar uma contenção para impedir a perda do território, ela diz que a prefeitura precisa de mais estudos para fazer um planejamento sobre o caso.
Enquanto isso, a  população do Leonardo Carvalho continua com medo. "Quando está chovendo a gente dorme à noite se preocupando que o rio encha para não sermos pegos de surpresa", conclui Marcos José Filho.
Fonte: G1