quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Picos de calor mantêm média histórica de fim de inverno no Sudeste


Apesar de serem temperaturas extremas, não são anormais, segundo metereologista do Inmet




O período tem apresentado frequência atípica de frentes frias, abaixo do normal, embora a média dos meses anteriores tenha ficado dentro das variações históricas, informou o meteorologista Olívio Sacramento Neto, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ele disse que houve ligeiro aumento das chuvas em agosto nos estados do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Espírito Santo, e temperaturas dentro da normalidade.
“Nós tínhamos na região a atuação de uma massa de ar seco. Os ventos que sopraram do oceano vieram de forma mais intensa, compensando a baixa penetração das frentes frias”, explicou Sacramento. Segundo ele, o único estado da Região Sudeste com temperaturas atípicas foi São Paulo, que não recebeu influência das correntes de ar marinho.
As temperaturas acima da média ficaram restritas ao período entre os dias 5 e 9 deste mês, período em que os ventos oceânicos se deslocaram para o Norte, atingindo o norte da Bahia e o litoral do Espírito Santo. De acordo com Sacramento, a tendência é ocorrerem poucas chuvas até o início da primavera.
“São valores extremos, mas não são anormais. Já tivemos registros de temperaturas mais elevados nos primeiros dez dias de setembro”, ressaltou a meteorologista Michelle Lima, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Michelle citou medições do Inmetro no Rio de Janeiro que apontaram para a manutenção do tempo quente e seco na região, com umidade relativa do ar entre 25% e 35% no começo deste mês, próximas dos níveis de alerta (20%).
O clima seco, característico do território fluminense entre maio e setembro, aumenta o risco de incêndios e queimadas, alertou a professora Mônica Senna, da Universidade Federal Fluminense. “A região pertence ao domínio da Mata Atlântica, onde aproximadamente 50% das árvores perdem as folhas na estação seca. Somam-se a isso fatores antrópicos [causados pelo homem] e naturais, e temos nesta época do ano uma grande incidência de incêndios florestais.”
O período quente e seco traz riscos para a vegetação nativa, que tem dificuldade para suportar tais pressões. “É difícil separar quanto deste impacto é devido às interferências humanas e quanto é causado pela variabilidade climática. A Mata Atlântica desenvolveu, no decorrer de sua evolução, mecanismos que permitem recuperar seu ponto de equilíbrio. A longo prazo, esse limite pode ser ultrapassado, dependendo do grau de perturbação que o homem provoca no ecossistema”, disse a professora.
A meteorologista Ester Regina Ito, do Grupo de Previsão Climática do Inpe, descartou a possibilidade de grandes variações até o fim do ano. “Não temos a confirmação de qualquer fenômeno no Pacífico. Estamos caminhando para uma possível configuração de El Niño para os próximos meses, mas ela ainda não está concluída. O impacto [do fenômeno] também não é imediato, ocorre com um certo atraso. Aos poucos, as águas estão mais aquecidas e a atmosfera está caminhando para isso”, explicou meteorologista.

Fonte: National Geographic Brasil

Geólogos afirmam que Cristo foi crucificado em 3 de abril de 33 d.C.



N. Currier via LOC


Um grupo de geólogos conduziu uma pesquisa, agora publicada pela revista “International Geology Review”, que concluiu que Jesus Cristo foi crucificado na sexta-feira, 3 de abril do ano 33 DC, baseando-se na atividade sismológica na região do Mar Morto, a 20 quilômetros de Jerusalém. A equipe, liderada pelo pesquisador Jefferson Williams, da Supersonic Geophysical, e composta por membros do Centro de Alemão para Pesquisas de Geociências, estudou amostras do solo de Ein Gedi Spa, relatos textuais, registros geológicos e dados astronômicos para chegar à data mais provável da morte de Cristo.

No capítulo 27 do Evangelho segundo Mateus, é relatado que enquanto Jesus morria na cruz, “a terra tremeu, as pedras se fenderam, os sepulcros se abriram”. Os cientistas identificaram sinais de dois tremores nas camadas de sedimentos acumuladas: sabe-se que um deles ocorreu em 31 AC, e que o outro provavelmente ocorreu entre 26 e 36 DC, quando Pôncio Pilatos governava a Judeia e quando aconteceu o relatado em Mateus.

Jefferson Williams disse que há um consenso considerável sobre o dia da crucificação, e que a controvérsia é mais relacionada ao ano em que isso ocorreu. As pistas levantadas por ele e sua equipe foram:

- Os quatro evangelhos e os “Anais” do historiador romano Tácito concordam que a crucificação ocorreu sob Pôncio Pilatos, entre 26 e 36 DC;
- Todos os quatro evangelhos contam que Jesus morreu poucas horas antes do início do sabático judeu (o que ocorre na noite de sexta-feira);
- Os evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) indicam que Jesus morreu antes do anoitecer do 14º dia do Nissan, primeiro mês do calendário religioso judaico – logo antes do início do Sêdar de Pessach (jantar cerimonial);
- O Evangelho de João difere dos sinópticos, ao dizer que a morte de Cristo ocorreu no 15º dia do Nissan.

Segundo os geólogos, essas pistas, analisadas em conjunto com o calendário judaico e as referências astronômicas, apontam a data de 3 de abril de 33 como sendo a mais provável. Outra pista dos evangelhos pode apoiar essa teoria: três dos quatro evangelhos canônicos falam de uma escuridão entre meio-dia e três da tarde no dia seguinte à crucificação – o que pode, segundo Williams, ter sido causada por uma tempestade de areia. O grupo do pesquisador agora está buscando amostras do solo em busca de evidências sobre esse ponto.


Fonte: http://www.geologo.com.br/

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Meu Paraná descobre os mistérios da Rota do Ouro em nosso estado

O Programa Meu Paraná, exibido dia 25, apresentou a História da Era do Ouro em terras paranaenses, mostrando a importância do nosso estado nos primórdios da busca dos portugueses pelo metal precioso no Brasil.



Do litoral para o interior, o avanço dos garimpeiros contribuiu com o desenvolvimento do país, quando a área do Paraná ainda pertencia à Província de São Paulo. A história foi contada pelo geólogo Gil Pierkarz.

Na visita feita à Trilha do Ouro, caminho turístico localizado em Campo Magro, foi apresentado como os primeiros garimpeiros trabalhavam para encontrar ouro nos rios. Em seguida, foi feito um passeio nas ruínas de uma mina, na região de Curitiba, de onde já foi extraido muito ouro em tempos atrás.

Reportagem completa em:
Meu Paraná - Rota do ouro (parte 1)
Meu Paraná - Rota do ouro (parte 2)

Modificado de: http://redeglobo.globo.com/rpctv/noticia/2012/08/meu-parana-descobre-os-misterios-da-rota-do-ouro-em-nosso-estado.html

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Pesquisadores descobrem primeira caverna vulcânica do país no Paraná


Descoberta geológica fica em Palmital, no centro oeste do estado.
Formação semelhante existe apenas no Hawai, segundo especialistas.

Uma equipe formada por geógrafos, geólogos e vulcanólogos da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) descobriu, em Palmital, a 397 quilômetros de Curitiba, a primeira caverna de origem vulcânica do país. "É uma cavidade diferenciada. A gente conhece caverna de calcário, de arenito, mas as cavernas em basalto só quem foi para o exterior para conhecer isso", explicou a professora do Departamento de Geografia da Unicentro Gisele Petrobelli. Segundo ela, estas feições são, na verdade, tubos de lavas preservados e assim como a cavidade encontrada em Palmital, existe apenas no Hawai.  Lembrando que tubos de lavas diferenciados também podem ser encontrados em outras regiões do mundo. "É uma riqueza muito grande no Brasil", avaliou a professora.

A primeira caverna de origem vulcânica do país é chamada de Casa da Pedra (Foto: Miguel Burei/ Arquivo pessoal)

A geógrafa explicou que com esta identificação entende-se de outra maneira o processo geológico do Terceiro Planalto do Paraná. Até então, segundo a professora, pesquisadores acreditavam que na região não houve uma atividade vulcânica mais característica e que agora isso deve ser repensado. "Não se sabe de onde veio a lava, só o caminho que percorreu", acrescentou. Este caminho deu origem aos tubos que estão bem preservados, o que é essencial.

A estimativa, apesar de evidências se perderam no tempo, é de que alguns derrames têm idade superior a 130 milhões de anos. A professora destacou ainda que a descoberta torna-se uma ferramenta a mais na interpretação das atividades vulcânicas que deram origem a paisagem da região. 

O local onde está a caverna ficou conhecido como Casa da Pedra e está dentro de uma fazenda particular na comunidade de Catuana. O Secretário de Meio Ambiente e Turismo de Palmital, Miguel Burei, é sobrinho do dono da fazenda. Ele contou que a área, que tem aproximadamente 300 hectares, era utilizada para o plantio de milho e que agora foi transformada em pasto para criação de gado. “Meu primo criava cabrito lá”, lembrou Burei.
Cavernas ficam em uma propriedade privada (Foto: Miguel Burei/ Arquivo pessoal)
Após a descoberta científica, o proprietário decidiu doar 1% da terra para pesquisa científica e o local foi isolado. Isso porque foram encontradas ossadas que podem ser de animais pré-históricos. Segundo a professora da Unicentro,  quanto mais intensa a atividade vulcânica, maior a formação de canais de lava e ramificações. Na Casa da Pedra, o duto principal possui 37 metros de extensão.
“A gente foi até onde dava para respirar. Eles [os pesquisadores] pediram para ninguém entrar porque pode impactar no material existente. Eles isolaram para não interferir na pesquisa”, contou o secretário.

A intenção é transformar o local em uma unidade de preservação ou em um parque para que sejam desenvolvidos projetos turísticos. A gestão deve ser atribuída a uma Organização não Governamental (ONG), especializada em Meio Ambiente, para que as visitas sejam controladas e qualquer futura ação não degrade o espaço. Os primeiros passos para que a proposta saia do papel já foram dados.
Na quarta-feira (27), houve uma reunião com representantes do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para se discutir a proposta. O secretário municipal está otimista, principalmente após algumas empresas da iniciativa privada demonstrarem interesse no desenvolvimento de ações sustentáveis no local.

Além da Casa da Pedra, existe outra caverna na fazenda que também é de origem vulcânica. Enquanto na primeira há um duto, na segunda existem quatro. Na verdade se trata de um sistema de tubos de lava, chamado de Peraú Branco.

Existe a possibilidade de as ossadas encontradas nas cavernas serem pré-históricas (Foto: Miguel Burei/ Arquivo pessoal)




O interesse dos pesquisadores

O local despertou a curiosidade pesquisadores quando Burei publicou as fotos em redes sociais, na internet. Professores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo foram até o local para reconhecer a origem geológica até então desconhecida no Brasil.

Em alguns trechos da Caverna percebeu-se que o chão é oco, o que segundo especialistas, indica que deve haver outros dutos embaixo da Casa da Pedra. Para ele, pelas características da região podem haver outras raridades escondidas no Terceiro Planalto paranaense.



A segunda caverna descoberta chama-se Peráu Branco e fica na comunidade da Prata (Foto: Miguel Burei/ Arquivo pessoal).Fonte: http://g1.globo.com/parana/noticia/2012/06/pesquisadores-descobrem-primeira-caverna-vulcanica-do-pais-no-parana.html



Uma nova era do petróleo está a caminho


O pesquisador de Harvard Leonardo Maugeri faz previsões audaciosas e contraria a teoria de que a era do combustível fóssil está próxima do fim


A nova era do petróleo: descobertas e avanços tecnológicos abrem espaço para expansão da oferta (Viktor Veres/AFP)

Um estudo recém-publicado sobre o volume das reservas de petróleo – e as novas descobertas no mar, nas rochas e nas areias – está causando alvoroço no mundo acadêmico. Intitulada “Petróleo: A nova Revolução”, a pesquisa feita pelo pesquisador italiano Leonardo Maugeri afirma categoricamente que não só o fim da era do petróleo está longe, como o aumento da capacidade de produção alcançará quase 20% nos próximos oito anos – uma taxa de crescimento que não se vê desde a década de 1980. Isso significa, nas contas do pesquisador, que o mundo poderá produzir 110,7 milhões de barris de petróleo por dia em 2020. Maugeri redigiu o relatório durante o ano sabático que tirou para estudar na Universidade de Harvard. Até então, o italiano era um dos altos executivos da petrolífera ENI, a maior empresa do setor em seu país. “Ao contrário do que a maioria das pessoas acredita, a capacidade de fornecimento de petróleo está crescendo mundialmente a níveis sem precedentes, e que poderão até superar o consumo”, diz em seu estudo.

A argumentação de Maugeri é calcada em dois pontos que se interligam. O primeiro é a descoberta de novas reservas no mundo ocidental – não apenas de petróleo convencional, como é o caso do encontrado na camada pré-sal brasileira, mas também de jazidas de gás da rocha xisto, nos Estados Unidos, e as areias betuminosas do Canadá. Todas elas são novas formas de petróleo encontradas na natureza – e que diferem do líquido negro e pastoso jorrando da terra. Tais reservas correspondem às chamadas fontes não convencionais do combustível fóssil, que exigem avançados processos tecnológicos e químicos para sua extração. Isso leva ao segundo ponto defendido pelo pesquisador: de que o surgimento de fontes não-convencionais fará com que o Ocidente transforme-se no novo “centro de gravidade” da produção e exploração de petróleo global, diminuindo a dependência da oferta proveniente do Oriente Médio. Segundo o pesquisador, estima-se que haja no planeta 9 trilhões de barris de combustível fóssil não-convencional. O mundo tem capacidade para produzir, atualmente, 93 milhões de barris por dia – ou 34 bilhões de barris/ano.
Maugeri não sugere que o Iraque ou a Arábia Saudita terão queda em sua capacidade de produção. Muito pelo contrário. As perspectivas para ambos os países são de um acréscimo de 6 milhões de barris/dia de petróleo até 2020. Contudo, graças ao avanço da oferta no Ocidente, ele argumenta que mundo ficará menos sujeito à volatilidade de preço do barril trazida por questões geopolíticas que afetam os países árabes. “Isso fará com que a Ásia seja o mercado de referência para o petróleo árabe e a China se transforme em nova protagonista nas questões políticas da região”, afirma o pesquisador. Para os Estados Unidos, Maugeri estima que a capacidade de produção passe, dentro de oito anos, dos atuais 8,1 milhões de barris/dia para 11,6 milhões de barris/dia. Em outras palavras, o país deve desbancar a Rússia e se tornar o segundo maior produtor de petróleo – os sauditas seguirão na liderança. No caso do Brasil, Maugeri prevê que a capacidade de produção deverá sair de 2 milhões de barris/dia para 4,5 milhões de barris/dia em 2020 devido à exploração do pré-sal. 
Avanços tecnológicos – O estudo do pesquisador italiano foi taxado de otimista por parte da comunidade acadêmica. A principal crítica de estudiosos está no fato de Maugeri ter minimizado os riscos e os desafios de investimento nos avanços tecnológicos necessários para extrair petróleo de fontes não convencionais. “Quando se exige uma tecnologia muito mais avançada, que envolve altos custos ambientais, esbarra-se na questão do preço. Quanto os investidores estarão dispostos a investir nesse tipo de empreitada e quanto os consumidores estarão dispostos a pagar por esse combustível? Esse tipo de resposta é imprevisível, por enquanto”, afirma Peter Kiernan, da Economist Intelligence Unit (EIU).
Maugeri, contudo, fez a conta. Segundo ele, mesmo com um barril de petróleo cotado a 70 dólares – hoje o contrato para agosto do produto sai por 87,10 dólares o barril nos EUA e 102,40 dólares por barril no mercado europeu –, a extração de toda essa nova capacidade será lucrativa. Isso levaria a commodity a um novo patamar de preço que, segundo o pesquisador, poderá transformá-la em alternativa energética mais barata. “É preciso pensar que o petróleo ‘fácil e barato’ de hoje não era tão fácil e barato quando foi descoberto”, diz ele. O estudo que publicou em Harvard aponta que 2012 não encontra precedentes em aportes de recursos no desenvolvimento de novas tecnologias de extração e produção. Até o final do ano, serão 600 bilhões de dólares em investimentos – um recorde que deverá implicar melhora de eficiência nos próximos anos.
Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), também cita o gás de xisto nos Estados Unidos como exemplo do que está por vir. Há dez anos, o uso deste produto como fonte de energia era praticamente inexistente no país e hoje representa mais de 23% da oferta de combustível. “Muitos acreditam que poderá até mesmo haver uma superoferta de gás em 2017”, explica Pires. Na edição desta semana, a revista britânica Economist discorre sobre o gás natural (em especial, o de xisto nos EUA) em 14 páginas de reportagem. O estado de Dakota do Norte, onde está localizada a reserva de Bakken, a maior fonte americana de gás, é considerado o eldorado do emprego no país.
Foto: Getty_Fotobank
A teoria do fim – O mundo do petróleo é dividido em dois grupos teóricos – com poucos adeptos ao meio termo. Numa ponta da discussão estão os adeptos da teoria do “pico do petróleo”, que prevê o fim do mineral devido à explosão do consumo e ao esgotamento das reservas. Tadeusz Patzek, professor e engenheiro de petróleo da Universidade do Texas, em Austin, é um de seus defensores mais fervorosos. “Há um aumento de fontes de combustível, mas há um aumento muito maior da demanda, sobretudo em mercados emergentes como China e Índia. Por outro lado, grandes exportadores, como países do Oriente Médio, continuam produzindo, mas exportam menos. E isso ocorre porque estão consumindo o petróleo que produzem. Como é possível falar em aumento de oferta se as exportações não irão aumentar”, questiona. Para Patzek, o petróleo não irá acabar, mas a oferta não crescerá no mesmo ritmo que a demanda. Sobre isso, o ex-ministro de Energia da Arábia Saudita dos anos 1970, o Sheik Ahmed Zaki Yamani, tem uma frase histórica repetida à exaustão do Texas a Bagdá. “A Idade da Pedra não acabou pela falta de pedra, e a Idade do Petróleo irá acabar muito antes que o mundo fique sem petróleo”.
A escola alternativa, que tem no premiado Daniel Yergin – autor do livro vencedor do Pulitzer, 'O Prêmio' – um de seus maiores expoentes, acredita na evolução tecnológica como caminho para explorar as reservas existentes e descobrir formas alternativas de combustível. A teoria do fim do petróleo é, para eles, infundada. “Crises energéticas já foram anunciadas inúmeras vezes, assim como a morte do petróleo. Até agora, nada disso aconteceu. Mas o discurso fatalista persiste mesmo entre especialistas no assunto. Ignoram-se as conquistas que a tecnologia já proporcionou e ainda vai proporcionar futuramente”, disse Yergin em entrevista a VEJA, em 2007. Ele lembrou que os investimentos em novas tecnologias permitiram que os Estados Unidos dobrassem sua produção de energia desde a década de 70. “Por que não a dobrariam nos próximos trinta anos?”. Os cálculos de Maugeri mostram que, cinco anos após esta entrevista, Yergin e a linha de pensamento em que se enquadra estão vencendo o debate na academia. 
Um lugar para os “verdes” – O peso das previsões alarmistas sobre o fim da era do petróleo tende, portanto, a perder força. Mas é verdade também que toda a gama de fontes renováveis de energia – vistas como um contraponto ao uso de combustíveis fósseis – terá seu lugar garantido no futuro. Os ambientalistas podem até exercer pressão pela prevalência dos combustíveis “verdes”, mas a continuidade dos investimentos no segmento está assegurada por uma combinação de fatores sociais, econômicos e geopolíticos.
As sociedades atuais, nos mais diversos países, são mais empenhadas em cobrar responsabilidade ambiental de governos e empresas. Neste sentido, grandes tragédias representam pontos de inflexão. O acidente da plataforma da BP no Golfo do México, em 2010, gerou, por exemplo, uma mobilização antipetróleo nos Estados Unidos que tornou a operação de extração em águas profundas muito mais cara. “Os acidentes são poucos. Mas, quando acontecem, são dramáticos. E isso cria uma pressão social que tem impacto direto no preço da exploração”, diz Kiernan, da EIU. Em resumo, a cobrança por tecnologias seguras de exploração implica custos para as grandes empresas – e estes podem ser bem altos – que podem tornar interessantes investimentos em biocombustíveis, energia eólica, etc. 
Matriz diversificada – O fator mais relevante, contudo, chama-se legislação. Governos de diversas nações tanto podem, por força de lei, inibir determinados tipos de exploração quanto viabilizar fontes renováveis. Os líderes dos países o fazem provavelmente menos em resposta aos anseios da população e mais por puro planejamento estratégico. Afinal, todos se preocupam em garantir uma oferta farta de energia por décadas e décadas porque não é possível correr o risco de limitar o crescimento econômico por sua escassez. É demasiadamente arriscado confiar em poucas fontes quando se quer ter um futuro seguro. Além disso, os governos não querem ficar dependentes e vulneráveis às instabilidades de países produtores – muitos dos quais são até hoje ditaduras. Autossuficiência é, portanto, mais que mero capricho. Para Adriano Pires, este cenário deverá equilibrar avanços tecnológicos, preservação ambiental e busca por novas fontes de energia para complementar a oferta mundial. “Eu vejo a matriz energética do mundo muito mais diversificada daqui para frente, mas ainda com uma participação grande recaindo sobre o petróleo e o gás”, diz o especialista.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Metais das medalhas olímpicas sairão de duas minas da Rio Tinto

Medalhas Olímpicas oficiais apresentadas em Londres 2012

A Rio Tinto informou que os metais para a confecção das 4,7 mil medalhas a serem entregues nas competições dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Londres-2012 virão de suas minas Kennecott Utah, nos EUA, e Oyu Tolgoi, na Mongólia – a produção comercial nesta última só começará em 2013. 


A Rio Tinto destacou seu comprometimento em fazer as medalhas de forma sustentável, tendo impacto zero nas fontes de água nos arredores das minas, além de reduzir emissõs de poluentes, diminuir a produção de resíduos e melhorar a qualidade do ar.


Fonte: http://www.geologo.com.br/geocontos.asp

Novo planeta composto por água é descoberto fora do sistema solar


Há 40 anos-luz, GJ1214b já é considerado uma Superterra, com quase três vezes o tamanho do nosso planeta


Concepção artística do exoplaneta GJ1214b  Foto:Nasa / ESA / D.Aguilar 




O exoplaneta GJ1214b já estava sendo observado por um time internacional de astrônomos desde 2009, embora ainda não havia sido anunciado.
Localizado em nosso sistema solar, há 40 anos-luz, o planeta é considerado uma Superterra, com quase três vezes o tamanho do nosso planeta e sete vezes o seu peso.
A temperatura de GJ1214b é de 230 graus célsius e tem um ciclo orbital de 38 horas, rodando ao redor de uma estrela vermelha anã.
Para encontrar o “novo planeta”, os cientistas contaram com a ajuda do telescópio Hubble, conseguindo assim calcular a sua densidade a partir de sua massa e de seu tamanho, comprovando que ele tem mais água do que rochas em sua superfície.
Há três tipos de planetas conhecidos, os rochoso, como Mercúrio, Vênus, a Terra e Marte; os gigantes gasosos, como Júpiter e Saturno; e os gigantes de gelo, como Urano e Netuno.


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Fúria Solar



Previsão do clima espacial para os próximos anos: intensa atividade do Sol, com catastróficos apagões na Terra. Estamos preparados para isso?


Em 1º de setembro de 1859, uma quinta-feira, Richard Carrington, um cervejeiro e astrônomo amador então com 33 anos, subiu os degraus que levavam a seu observatório particular perto de Londres, abriu a fresta na abóboda e, como costumava fazer em manhãs ensolaradas, ajustou o telescópio para que projetasse em uma tela uma imagem do Sol medindo 28 centímetros. Em seguida, passou a delinear as manchas solares em uma folha de papel; de repente, diante de seus olhos, “duas áreas de luminosidade brilhante e esbranquiçada” surgiram em meio a um grupo de manchas. No mesmo instante, a agulha do magnetógrafo que pendia de um fio de seda no Observatório Kew, em Londres, começou a se mover com rapidez. E, no dia seguinte, antes do amanhecer, auroras de tons vermelhos, verdes e roxos iluminaram os céus em regiões tão meridionais quanto o Havaí e o Panamá. Gente que estava acampada nas Montanhas Rochosas, confundindo a aurora com o início do dia, se levantou e começou a preparar o café da manhã.
A fulguração observada por Carrington anunciava uma gigantesca tempestade solar – uma enorme explosão eletromagnética que arremessou bilhões de toneladas de partículas carregadas de eletricidade em direção à Terra. Quando essa onda invisível se chocou com o campo magnético de nosso planeta, ela provocou um súbito aumento nas correntes elétricas das linhas de telegrafia. O impacto interrompeu o serviço em vários postos, mas em outros locais os telegrafistas constataram que podiam desligar as baterias e retomar as operações usando apenas a eletricidade geomagnética. “Estamos funcionando só com a corrente fornecida pela aurora boreal”, comunicou-se um telegrafista de Boston com outro, em Portland, no estado do Maine. “Como você está recebendo a minha mensagem?”
“Bem melhor do que com as baterias ligadas”, veio a resposta de Portland.

A agitação fervilhante na atmosfera do Sol é captada em radiação ultravioleta extrema pelo satélite Observatório da Dinâmica Solar, lançado pela Nasa em 2010 para melhorar nosso conhecimento da atividade no Sol e de seu impacto sobre a Terra. Nesta imagem colorizada (cada cor representa um comprimento distinto de onda luminosa), arcos coronais brilhantes se formam entre regiões de forte atividade magnética, ao passo que filamentos mais frios e escuros pairam em suspensão no campo magnético solar. Foto: NASA SOLAR DYNAMICS OBSERVATORY (SDO)

Os operadores dos atuais sistemas de comunicação e redes de eletricidade não ficariam assim tão calmos. Como, desde 1859, não houve nenhuma outra megatempestade solar com a mesma intensidade, é difícil calcular o impacto que um evento similar teria em nosso mundo interconectado. Mas dá para fazer uma ideia do apagão ocorrido em Québec em 13 de maio de 1989, quando uma tempestade no Sol um terço mais fraca do que a observada por Carrington provocou, em menos de dois minutos, o desligamento da rede que fornecia eletricidade a mais de 6 milhões de pessoas. Uma tempestade como a de Carrington poderia queimar mais transformadores do que há no estoque das companhias de eletricidade, deixando milhões de pessoas sem luz, água potável, ar-condicionado, combustível, telefones ou alimentos e remédios perecíveis durante os meses que seriam necessários para fabricar e instalar transformadores novos. Segundo um recente relatório da Academia Nacional de Ciência dos Estados Unidos, uma tempestade solar dessa magnitude acarretaria o mesmo prejuízo ocasionado por 20 furacões do tipo do Katrina, ou seja, algo entre 1 trilhão e 2 trilhões de dólares apenas no primeiro ano.
Uma aurora paira sobre a ponte Sommarøy, na ilhaKvaløy, no norte da Noruega, em uma semana de atividade solar intensa. As auroras são causadas pelo impacto de partículas carregadas nos gases da atmosfera. Mais comuns perto dos polos, as auroras também ocorremem latitudes mais baixas durante tempestades solares fortes.
“Nossas previsões sobre o Sol não vão além de poucos dias”, lamenta Karel Schrijver, do Laboratório Solar e Astrofísico da empresa Lockheed Martin, em Palo Alto, na Califórnia. Com a expectativa de que neste ano tenha início o período de máxima atividade solar, os centros de acompanhamento do clima espacial estão atentos. “Tentamos entender como as condições no espaço afetam nossa sociedade”, diz Schrijver.
“Em termos éticos, a coisa certa a fazer quando se identifica uma ameaça dessa magnitude é criar as condições para que estejamos preparados. É como no caso dos terremotos em San Francisco. Do contrário, as consequências são intoleráveis.”
Poucas coisas parecem tão familiares quanto o Sol – sempre o reencontramos no céu, desde que não esteja encoberto – e, porém, poucas coisas se comparam a ele em estranheza. Basta que o observemos através de um telescópio solar, e seu corriqueiro disco amarelo vira uma assombrosa e dinâmica superfície, na qual proeminências tão grandes quanto planetas se projetam no espaço negro, como águas-vivas fosforescentes, e se curvam e se retraem horas ou dias depois, como se arrastadas por uma força invisível.
Arcos de plasma grandes o suficiente para incluir muitas Terras são captados de perfil na beirada do Sol enquanto uma proeminência ondulante acima dos arcos arremessa ao espaço partículas solares carregadas. Os cientistas monitoram as ondas sonoras emitidas pelo Sol a fim de identificar a atividade local antes que irrompa na superfície.
De fato, é isso o que ocorre. Nem sólido nem líquido nem gasoso, o Sol é constituído de plasma, o “quarto estado da matéria”, que se forma quando os átomos se desintegram e restam apenas prótons e elétrons livres. Todas essas partículas carregadas fazem do plasma solar um excelente condutor de eletricidade – bem mais que um fio de cobre. E o Sol também está repleto de campos magnéticos. A maioria deles fica no interior da imensa circunferência da estrela, mas alguns condutos magnéticos, tão largos quanto a Terra, emergem na superfície sob a forma de manchas solares. É esse magnetismo que coreografa a dança coleante na atmosfera do Sol e impele o vento solar, lançando no espaço a cada segundo 1 milhão de toneladas de plasma, a uma velocidade de 700 quilômetros por segundo.
Uma fulguração solar de categoria X, a mais forte, sobrecarrega um sensor do Observatório da Dinâmica Solar. Com o auge do atual ciclo do Sol previsto para 2013, outras fulgurações e ejeções coronais de massa (CMEs) podem atingir a Terra. O impacto direto deuma CME muito forte poderia desligar as linhas de transmissão elétrica.
Por trás de toda essa atividade está a fascinante complexidade do funcionamento de uma estrela que nada tem de excepcional. No núcleo do Sol – um esferoide de plasma, com temperatura de 15 milhões de graus e seis vezes mais denso que o ouro – ocorre a fusão de 700 milhões de toneladas de prótons em núcleos de hélio a cada segundo, e nesse processo é liberada uma energia equivalente à explosão de 10 bilhões de bombas de hidrogênio. O núcleo pulsa com suavidade, expandindo-se quando aumenta e se contraindo quando diminui o ritmo da fusão. Superpostos a essa pulsação lenta e profunda, há uma miríade de ritmos, desde um ciclo de 11 anos nas manchas solares até outros que duram séculos.

Descoberta na Groenlândia a maior cratera da Terra provocada por asteroide há 3 bilhões de anos


Uma cratera com 100 quilômetros de largura foi encontrada na Groenlândia, resultado de um impacto de asteroide maciço há bilhões de anos.A cratera mais antiga conhecida pela ciência, antes dessa nova descoberta, data de 2 bilhões de anos. A chance de encontrar outra cratera ainda mais antiga era considerada relativamente baixa.

Agora, uma equipe de cientistas do Geological Survey of Denmark and Greenlan (GEUS) em Copenhagen associada com a Cardiff University, Lund University na Suécia e o Institute of Planetary Science em Moscou, Rússia, contrariou completamente as expectativas que diziam ser improvável encontrar uma cratera ainda maior e mais antiga.

As crateras que vemos sobre a Lua são resultados de impactos com asteroides e cometas há 4 bilhões de anos, em média. A Terra primitiva, com sua massa gravitacional muito maior que a atual, deve ter experimentado colisões catastróficas.

Na sequência de um programa detalhado de campo, financiado pela GEUS, a equipe descobriu os restos de um gigantesco impacto há 3 bilhões de anos, perto da região de Maniitsoq, oeste da Groenlândia.


           


Localização da cratera em Maniitsoq, Groenlândia. Foto: Reprodução/GEUS

Esta única descoberta significa que podemos estudar os efeitos da deformação de crateras na Terra há 1 bilhão de anos antes do que imaginávamos”, segundo o Dr. Iain McDonald, da Cardiff University, em declaração ao portal DailyMail.

É possível que o asteroide tenha atingido o mar porque as rochas preservadas foram intensamente alteradas pela circulação de fluidos quentes. Estes fluidos foram, provavelmente, derivados da água do mar que teria sido capaz de penetrar profundamente na crosta terrestre através de fissuras e zonas de esmagamento provocadas pelo impacto.

Boris A. Ivanov do Instituto de Ciências Planetárias na Rússia realizou uma série de cálculos provisórios que sugerem que o asteroide possuía 30 quilômetros de diâmetro.

Se um impacto como esse ocorresse hoje na Terra, as consequências poderiam levar à morte de um grande número de espécies, incluindo o homem, boa parte das plantas e animais de pequeno, médio e grande porte.
Há 3 bilhões de anos não havia muita vida para extinguir, mas os cientistas estão estudando para entender os efeitos globais do impacto, como tsunamis gigantescas.